3 de mai. de 2026

Na nuvem...

Nossas lembranças, as poucas que tivemos, insistem em me recordar o que vivemos.

Isso não acontece sempre, mas, com tanta tecnologia somos esmagados com as facilidades de guardar lembranças em lotes automáticos e digitais.

No passado, teríamos que revelar as fotos e provavelmente das quatro ou cinco tiradas, uma, no máximo, ficaria razoável para guardar.

A duração das coisas tem diminuído consideravelmente, assim como as relações.

Os aplicativos de relacionamento nos avisam o tempo todo o quanto que assim que dispensarmos a pessoa que está na nossa frente seja na tela, ou ao vivo, outra aparecerá e poderá ser a nossa próxima pessoa favorita até que a gente descubra algo que a torne descartável e assim o ciclo continua infinitamente...

E no meio disso um lembrete de novo. De um dia feliz, ou melhor, de um momento feliz.

Não sei porque essas lembranças se repetem quando na verdade elas deveriam nos relembrar apenas 1 vez a cada ano.

Mas eu admito que quando elas aparecem pra mim, de uma forma ou de outra, meu primeiro pensamento é de lamento: que pena! 

Sim, lamento por saber que tínhamos chance e potencial, mas não tínhamos timing. Enquanto eu ia você voltava e vice-versa.

Quando duas pessoas brincam no cabo de guerra o objetivo é que alguém ganhe fazendo com que o outro avance até o seu lado. 

Na nossa brincadeira você largou a corda antes de começarmos o campeonato.

Que pena! Penso novamente e balanço a cabeça. 

Sim, eu balanço a cabeça fazendo um não com ela meio inconformada. Você não deixou que a brincadeira começasse. 

Você deixou aqueles momentos felizes gravados na nuvem, perecível assim como nós.




26 de set. de 2025

A falta

De quando a gente se ria, se via, conversava, saia, gargalhava, transava, beijava, mas não sinto falta de quando você teimava, fechava a cara e batia o pé no que queria. Irredutível.

Eu sinto falta de quando eu te via pessoalmente, porque cara a cara você deixava sua máscara de bad boy de lado.

Eu sinto falta de quando você simplesmente queria aproveitar o momento e demonstrava em atitudes o quanto que aquele momento estava sendo bom.

Eu não sinto falta das inúmeras vezes que você respondeu de qualquer jeito pra mim. De quando você me afastou de você como defesa. Do quanto você se acha um nada na vida de outra pessoa e da insistência que você tem de não querer se cuidar.

E tem momentos que fico profundamente triste em saber que nos momentos mais difíceis da minha vida você optou em não estar presente.

Eu sinalizei que as coisas não estavam bem comigo, mas mesmo assim você sumiu. Apareceu tempos, bons tempos, depois.

As escovas de dentes, os copos, os objetos não fazem falta alguma, mas a gente faz ou fez, já não sei mais. Porque não posso aceitar o que tínhamos do jeito que era. Não dá para só eu acreditar e apostar.

Mas não tem jeito, quando alguém procura o que pode dar errado para ficar no mesmo ciclo de tristeza ao invés de olhar pra vida com uma perspectiva de "vai dar certo" ou "vou tentar" ninguém consegue mudar, a não ser a própria pessoa.

Eu tentei, mas, às vezes, sinto falta.

11 de mai. de 2025

Se aquele menino, agora homem

Reconhecesse o potencial que tem
Se ele acreditasse um tantinho mais nele e em tudo o que ele produz ao mundo de bom...

Talvez perdesse o medo de viver plenamente, mesmo com as rachaduras que as circunstâncias causam. O mundo pode ser dolorido, machucar, mas sempre tem um fiozinho de ar que entra pelas janelas e que indica que novos ventos estão para chegar.

Se aquele menino agora homem soubesse...

Talvez não reparasse na sujeira de pó que entra pela janela e notasse a brisa deliciosa que vem deste pó. O pó a gente varre, o vento a gente sente.

Se aquele menino, agora homem, soubesse...

Que falta pouco, mas bem pouco para ele ser livre. E mais ainda, se ele soubesse que ninguém está prendendo ele além da sua própria mente, talvez até voasse...

É que aquele homem, não mais menino não sabe porque não aprendeu ouvir o silêncio ou talvez até saiba, mas tenha receio de ficar no silêncio para ouvir aquilo que a alma dele pede.

O silêncio, às vezes, grita e muitas vezes nos mostra de forma visceral e ver é outra coisa que ele não quer...

Se aquele homem, não mais menino soubesse o que eu sei sobre ele talvez nem acreditasse que tudo isso que sei é sobre ele e acharia que estou me iludindo.

Talvez dissesse algumas palavras aleatoriamente rápidas e pontuais, baixinho para que eu quase não pudesse ouvir.

Mas não vai adiantar porque a outra coisa que ele não sabe é que eu sei que tudo isso é só seu escudo de proteção.

-> feito em 16/04/25 revisado em 11/05/25

2 de abr. de 2025

Entre encontrar e perder

Eu me busquei por tanto tempo.
Entre um processo e outro me perdi. Entre uma resposta e uma pergunta, divaguei. Entre erros e acertos fiquei na dúvida.

Depois de um longo período nesta tentativa, achei que tudo estava tranquilo e que tinha eliminado, em definitivo, aquilo que me assombrava.
Assombrar, a sombra. A sombra vive trazendo novos recortes. E num deles encontrei um novo desafio.

Reconectar comigo e entender que cada fase pede de mim algo diferente. Não só a mim, mas para todo mundo. E nesta caminhada delicada e sinuosa eu entendi que sempre terão novos aprendizados disponíveis para mim. Isso se eu quiser começar de novo.

Posso não querer. Posso estacionar, mas se andei até aqui, por que faria isso agora?
E se eu parar, será que irei progredir?
Quanto mais a gente resiste em olhar para algo, mais aquilo persiste, e isso quem disse foi Carl Gustav Jung.

Ele sabia mesmo das coisas. E sabia que se ele não olhasse para aquilo que estava sendo exposto com certeza voltaria numa potência ainda maior.

Ao mesmo tempo tudo é muito e pouco.

Vai depender do olhar que damos para as coisas.



7 de mai. de 2024

De mansinho












De mansinho muita coisa acontece
Relacionamentos acabam, 
relacionamentos começam

Pessoas se aproximam
Outras se vão

Mentiras são descobertas
Verdades são escondidas

De mansinho, ele chegou
como quem não quer nada...
Ou não queria nada mesmo e fez que sim?

Eu sabia, queria tudo
Sabia que queria tudo

Os outros não sabiam de nada
nem ele
De mansinho, violências acontecem
Pessoas são descartadas
Lágrimas são roladas
Vidas são abandonas

De mansinho, ele se afastou
como se eu não soubesse de nada

Mas eu sabia 
Eu sempre soube

De mansinho a vida vai passando
Eu e você vamos levando
E talvez ele também

Eu sei que saber só não é suficiente
Eu sei que hoje meu querer é só meu
E que não há nada mais libertador que isso

Sei que ele também quer, 
mas não quer abrir mão de nada

E não abrir mão de nada
Envolve aceitar tudo
        Tudo é muita coisa e coisa que eu não quero
        
        De mansinho eu vou entendendo
        Libertando e me amando
       
        Um dia, de mansinho, quem sabe ele também?





13 de out. de 2021

18 de fev. de 2021

A-calma-mente

A pressa é inimiga das ações sensatas
A raiva também, pois apressa a mente e a alma
Apressadamente a alma não sente, respira sem sentir o ar e a vida entrarem
A calma pede passagem, como um grito de socorro, mas a vontade de resolver, cega, atropela a calma e invade seu espaço trazendo a inquietude disfarçada de atitude
Ação sem calma é o pedido da pressa em algo fazer só para dizer que fez..
Cansada de correr, a pressa exausta tira um cochilo, a alma agradece e a calma dança a sua música predileta
Nesta melodia todos saem ganhando, a pressa exausta se cala e permite o ar entrar e sair facilmente dos pulmões 
E até repara no pôr do sol que insiste em sorrir para ela
O pulsar corrido abre as portas para a paz, assim como o amor de tudo que bem nos faz 




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